quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Teoria da Pioração do Impiorável

Atendendo a mais de uma dezena de pedidos (onze!), resolvi publicar os princípios gerais que regem a Lei Universal da Pioração do Impiorável (LUPI). Indo direto ao assunto, de onde surgiu esta tese? Do BIG BANG. A singularidade – tese aceita, por todos nós da comunidade científica - que deu início a tudo que existe a nossa volta, pois bem, o Big Bang decretou que TODO o universo está em expansão e em movimento. Ou seja, tudo que parece estar ruim hoje, não está parado, está se movimentando e, o que é pior, se expandindo. A Pioração Universal, portanto, está baseada não apenas na observação da natureza, mas em evidências científicas, inquestionáveis. Como Charles Darwin, eu também observo a evolução das espécies com um único viés: me concentrei apenas na evolução do que há de pior na espécie humana.
Sem rodeios, todo o universo conspira para que algo que já está ruim continue em estado de pioração constante. Você está me achando ácido? Ok, o pior não é isso. Outro exemplo, a Banda RPM. Um grupo monodisco, que se desintegrou por absoluta inépcia, deixou como subproduto o subcantor Paulo Ricardo. Não satisfeito desdobrou-se em Paulo Ricardo Compositor e letrista, e mais – numa progressão negativa – pariu o inexpressivo, Paulo Ricardo Ator. Ator, de TV e de teatro!! Convenhamos... Mas acredite, não é o pior, quando você menos esperar vai passar em frente a uma loja e ver um cartaz enorme: “Paulo Ricardo e Diogo Nogueira, finalmente juntos”. Isso é a Pioração do Impiorável.
Temos mais exemplos. Quando você está desempregado, completamente duro, quase depressivo, nunca encontra um amigo pra lhe pagar um cafezinho. Mas se você está bem de vida, tem um bom emprego, cheque especial, cartão Visa, sempre tem alguém brigando pra pagar seu almoço no restaurante chique. Entendeu o conceito? Se você está mal, aguarde, pois piorará. Muita gente me critica, me chamando de pessimista, negativista, mas, convenhamos, contra fatos não se argumenta. As pessoas más de hoje, nasceram boas, mas morrerão ainda piores, pois a velhice só aprimora a velhacaria. Todos estamos em trânsito, de mal a pior. As pessoas aprimoram o seu pior simplesmente vivendo. É a expansão do universo levada ao que temos de pior. Vejam os sobreviventes da tragédia no Rio de Janeiro (jan de 2011), como se já não bastasse verem suas famílias destruídas, ainda precisam dar entrevistas para os jornalistas que voaram para lá aos milhares sem levar ao menos uma garrafa d´água para oferecer. Pode algo ser pior do que ter sua dor televisionada e regurgitada no jornal das 7, das 8, das 10 com reprise ao meio-dia, nos plantões e depois da meia-noite? Tudo com o humanitário dever de explorar a dor das pessoas em busca de audiência. É a tragédia sob a influência da LUPI.
Me corrija se estiver errado – mas todo sujeito corrupto que conheci até hoje só fez se aprimorar. Se ontem era um reles batedor de carteiras, hoje já rouba com Selo de Qualidade Internacional. Atingimos, em termos de falcatrua, padrões iguais - ou superiores - aos melhores do mundo. Não devemos nada a ninguém. Talvez devamos, apenas, desculpas às famílias das vítimas. Mas não existe nada pior que o remorso. Hoje já mentimos como presidentes americanos. Aplicamos golpes na bolsa como o pior de Wall Street. Nossos rombos financeiros se equiparam aos maiores do mundo. Mas quando você pensa que nada pode piorar, elegemos o Tiririca e o Paulo Maluf. Somos insuperáveis. Nada é impiorável. O limite é a imaginação humana. Sempre nossa imaginação consegue piorar qualquer quadro, por pior que seja. Sempre que for possível piorar algo, a coisa piorará no sentido que trouxer o maior prejuízo para você. Não importa o que você faça, sempre chega o dia em que você vai olhar pra trás para aquele que você julgava ser o pior momento da sua vida e dizer “eu era feliz e não sabia”.
Luiz Henrique Rosa

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